quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os condenados da terra


Fiz o curso de Ciências Biológicas entre 1974 a 1977, USP. Em Ribeirão Preto, SP. Lembro-me mudando de cidade. De Porto Ferreira, SP para Ribeirão, separada geograficamente por 150 Km, e psicologicamente por séculos. Saia dos braços da família. No curso de Ciências Biológicas aprende-se o que não aprendemos na escola. É básico. Tive professores fantásticos. Minha orientadora Madalena Telles, da zoologia. Estudei moscas de frutas. Tive outro professor importante, o Tarso. Com ele, decidi-me a sair da biologia. Sai de Ribeirão Preto para a Unicamp. Comecei a fazer Ciências Sociais. Curso inconcluso. Não me lembro como conheci o livro de Franz Fanon. o livro, Os condenados da terra. Comprei-o aqui em Maringá, PR, em 1986. Edição de 1979. Fanon: negro, nascido na Martinica em 1920, psiquiatra, publicou Os Condenados da Terra em 1961. Do que ele fala? de algo que me atrai e incomoda. Da humilhação que a colonização impõe aos povo, aos pobres, aos desempregados. No caso, Fanon fala da humilhação imposta pela colonização francesa ao povo argelino. O prefácio de minha edição foi feito por Sartre. Da antiga Editora Civilização Brasileira (segunda edição, 1979).


Um trecho do livro:

A favela consagra a decisão biológica do colonizado de invadir custe o que custar e, se for necessário, pelas vias mais subterrâneas, a cidadela inimiga [...]. As prostitutas, essas também, as criadas de 2.000 francos, as desesperadas, todas estas e todas as que evoluem entre a loucura e o suicídio, vão reequilibrar-se, vão por-se em marcha e participar de maneira decisiva do grande cortejo da nação renascida. (p. 107)

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